06 setembro 2018

VIBRAÇÃO ORIGINAL DE OXALÁ - Caboclo 7 Espadas


OXALÁ(ORIXALÁ, OBATALÁ, ARAXALÁ, OSHILÁ, YSHOLA) : A Luz do Senhor Deus
ORI : Luz; Reflexo
XA  : Senhor; Fogo
LA  : Deus; Divino
A Vibração de Oxalá reflete o Princípio Incriado; o puro Princípio Espiritual; o Verbo Solar e sua Ciência. É diretamente supervisionada pela Hierarquia Crística. É a detentora da Luz Espiritual que ilumina toda a Corrente Astral de Umbanda.
A Vibração de Orixalá foi a responsável pela vinda de Seres Espirituais CENTRALIZAÇÃO "errantes" de todo o Universo para o planeta Terra. Atualmente, sua função ou atividade espiritual prende-se em refletir a toda coletividade do Movimento Umbandista a Luz da Divindade, por meio de suas Entidades atuantes, que nas raras vezes em que se apresentam por meio da mediunidade trazem mensagens edificantes e elevadas, visando elevar os Filhos de Fé do Movimento Umbandista.
Orixalá trabalha no sentido da reascensão da humanidade, primeiramente no universo astral, e daí para as suas origens no Cosmo Espiritual.
Em se tratando da Magia Etérico-Física, atua dissipando as correntes deletérias que se formam no planeta Terra; manipula as energias solares em benefício da manutenção da vida física no planeta, como atua neutralizando, por meio das suas puras vibrações, as energias contrárias ou originárias dos Mago-Negros, que sempre tentam desequilibrar vibratoriamente o planeta Terra, não conseguindo êxito em virtude da Possante Vibratória de Orixalá, por meio da atuação de seus Orixás, Protetores e Enviados da Luz para as Sombras ou dessas para as Trevas (os EXUS GUARDIÃES de Orixalá).
Os Orixás Menores dessa Faixa Vibratória, via de regra, não "baixam", podendo fazê-lo muito raramente e de permanência curtíssima no "reino" (incorporados). Fazem-no dando mensagens de caráter geral.
A ligação fluídico-magnética dessas Entidades com o médium começa pelo alto da cabeça, em sua região posterior, no Chakra Coronário fazendo descer uma suave sensação de friagem pelo pescoço até os ombros, que se propaga muito rápido pelo tórax, acelerando suavemente a respiração (maior necessidade energética) e a frequência cardíaca (energia para todo o organismo), e do tórax ao abdome, na região do plexo solar, onde se ligam em todo o sistema  nervoso visceral do médium, dando uma leve rotação harmônica de todo o corpo, levantando ligeiramente a cabeça do médium e controlando o psiquismo, o sensório e a motricidade do aparelho mediúnico. Suas incorporações são suaves, mas "pegam bem" o aparelho mediúnico (cavalo). Falam pausadamente, calmamente, levantando e abaixando a cabeça do médium (recepção e doação energética para o próprio médium — é como se fosse uma "respiração mental"). Suas mensagens são sempre fortes, de profundo misticismo e grande riqueza moral, o que só é conseguido por quem já alcançou altos patamares, com grande domínio sobre si mesmo.

Anjo Tutor: Gabarael
Astro Regente: Sol
Cor: Branco ou Amarelo Ouro
Dia Comemorativo: 01 de Janeiro
Dia da Semana: Domingo
Elemento: Fogo e Energia Espiritual
Exu Guardião: 7 Encruzilhadas
Erva Sagrada: Boldo, Cidreira
Erva de Exu: Folhas de guiné
Essência Volátil Líquida: Sândalo
Flor Sagrada: Maracujá, Girassol
Horário Vibratório: 09:00 às 12:00
Saudação: Epá Babá Oxalá/ Exê Babá
Signo Zodiacal: Leão
Metal: Ouro

Extraído do livro: Umbanda - A Proto-síntese Cósmica - Yamunisiddha Arhapiagha (Caboclo 7 Espadas)

04 setembro 2018

CENTROS DE FORÇA - Miramez



Os centros de força são como glândulas do espírito, conglutinadas no perispírito, em íntima relação com o mundo endócrino. E este domina, quase por completo, o universo celular. Realmente é fascinante o estudo desses campos de força, mas a ignorância da humanidade empana essa sabedoria divina. O estudante interessado nesses conhecimentos deve buscar, em todas as fontes, algo que possa fornecer-lhe o que ele desconhece. Cada divisão espiritualista está incumbida de revelar um prisma da verdade, sendo que um grupo sempre difere do outro, no tocante à exposição das suas experiências. Mas todos são úteis para os que se vinculam pela sintonia e se amarram por necessidades iguais.
Os chakras são reatores espirituais que transformam o éter cósmico em fluidos compatíveis com a natureza humana. O seu retraio científico só será conhecido com a liberação do tempo e o crescimento da evolução coletiva. Os espíritos superiores regulam os conhecimentos que descem para a Terra, de acordo com o padrão moral e espiritual das criaturas.
Poucos encarnados conhecem a ciência espiritual mais acentuada, fugindo à norma comum, dados os dons que possuem e a pesquisa que fazem, por intuição.
Quando deparam com a revelação, que desce na época aprazada, sentem que, para si, não é novidade. Todavia, por intermédio dela, encontram elementos para avançar mais além do ponto em que se encontravam.
É bom que saibais da influência dos pensamentos em toda a orquestração dos centros de força. O vértice coronário é o mais sagrado e está no topo craniano, influenciando todos os outros, como fornecendo o material divino para que a alma possa pensar, plasmando nessa substância suas emoções e irradiando-as para todo o organismo. O subconsciente, igualmente, faz cumprir sua programação no laboratório biológico e atende a todos os sinais de pedidos computados pelo cérebro. de conformidade com as suas posses.
Cada célula física tem seu duplo espiritual irremovível, e, ligando-as, um microcentro de força, transformador de energia, que corresponde aos anseios de todo o metabolismo celular, cuja amplitude energética e engenhosa daria para assombrar os citólogos, se estes conhecessem seus fundamentos. Considerando que o corpo físico é uma maravilha do universo, o que pensar do corpo espiritual em relação a ele, se pudesse ser visto, em sua plenitude, pelos homens?
Comprazer-se-iam, em pleno êxtase, e perturbariam sua consciência. É por este motivo que a revelação obedece à gradação espiritual da coletividade.
Os vértices dos centros de força são conglutinadores de energias condicionadas, de acordo com a missão de cada um. São como indústrias, cujos frutos são filhos da programação. E para que os frutos possam mudar, é justo que mudemos o programa. Tudo pode mudar em nosso corpo. Ele obedece à mente de modo espetacular. Quanto mais evoluído o espírito, mais o mundo físico é seu vassalo.
Ordenai os pensamentos, harmonizai as ideias, limpai a área mental, fecundai as emoções com o amor, com o perdão, com a caridade, com a alegria, com a prudência, com a fraternidade, com a tolerância, com o trabalho, que vereis uma reconstrução mais rápida do que pensais, porque os pensamentos remodelarão toda a estrutura psíquica, espiritual e, certamente, orgânica, e a vida começará a esplender como um sol, fazendo desaparecer as brumas da consciência.
Cuidai bem da palavra, pois essa música que entoais pelos lábios. todos os dias, é formada de riquezas da vida, que passaram por forjas inumeráveis do todo, aprimorando-se aqui e ali, para dar condições de permutar experiências e  dignificar os ideais. Eis a responsabilidade!... O verbo sai revelando o que se passa no mundo íntimo de quem o pronuncia.
Conhecer é muito bom, não obstante a consciência nos acuse, com mais intensidade, se fecharmos os olhos diante da luz.


Extraído do livro: Horizontes da Mente

17 julho 2018

O MEDO - Joanna de Angêlis (O Homem Integral)



Decorrente dos referidos fatores sociológicos, das pressões psicológicas, dos impositivos econômicos, o medo assalta o homem, empurrando-o para a violência irracional ou amargurando-o em profundos abismos de depressão. Num contexto social injusto, a insegurança engendra muitos mecanismos de evasão da realidade, que dilaceram o comportamento humano, anulando, por fim, as aspirações de beleza, de idealismo, de afetividade da criatura.
Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios justificáveis do relacionamento instável com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais para onde fogem os indivíduos, na expectativa de equilibrarem-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem darem-se conta, um comportamento alienado, que termina por apresentar-se igualmente patológico.
As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes, mantendo os haveres em lugares quase inexpugnáveis, fazem o homem emparedar-se no lar ou aglomerar-se em clubes com pessoal selecionado, perdendo a identidade em relação a si mesmo, ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de grave porte.
Os valores da nossa sociedade encontram-se em xeque, porque são transitórios.
Há uma momentânea alteração de conteúdo, com a consequente perda de significado.
A nova geração perdeu a confiança nas afirmações do passado e deseja viver novas experiências ao preço da alucinação, como forma escapista de superar as pressões que sofre, impondo diferentes experiências.
No âmago das suas violações e protestos, do vilipêndio aos conceitos anteriores vige o medo que atormenta e submete às suas sombras espessas.
A quantidade expressiva de atemorizados trabalha a qualidade do receio de cada um, que cresce assustadoramente, comprimindo a personalidade, até que esta se libere em desregramento agressivo, como forma de escapar à constrição.
Quem, porém, não consiga seguir a correnteza da nova ordem, fica afogado no rio volumoso, perde o respeito por si mesmo, aliena-se e sucumbe.
Na luta furiosa, as festas ruidosas, as extravagâncias de conduta, os desperdícios de moedas e o exibicionismo com que algumas pessoas pensam vencer os medos íntimos, apenas se transformam em lâminas baças de vidro pelas quais observam a vida sempre distorcida, face à óptica incorreta que se permitem. São atitudes patológicas decorrentes da fragilidade emocional para enfrentar os desafios externos e internos.
A consumação da sociedade moderna é a história da desídia do homem em si mesmo, enlanguescido pelos excessos ou esfogueado pelos desejos absurdos.
Adaptando-se às sombras dominadoras da insensatez, negligencia o sentido ético gerador da paz.
A anarquia então impera, numa volúpia destrutiva, tentando apagar as memórias do ontem, enquanto implanta a tirania do desconcerto.
Os seus vultos expressivos são imaturos e alucinados, em cuja rebelião pairam o oportunismo e a avidez.
Procedentes dos guetos morais, querem reverter a ordem que os apavora, revolucionando com atrevimento, face ao insólito, o comportamento vigente.
Os antigos ídolos, que condenaram a década de 20 e 30 como a da “geração perdida”, produziram a atual “era da insegurança”, na qual malograram as profecias exageradamente otimistas dos apaniguados do prazer em exaustão, fabricando os super-homens da mídia que, em análise última, são mais frágeis do que os seus adoradores, pois que não passam de heróis da frustração.
Guindados às posições de liderança, descambaram, esses novos condutores, em lamentáveis desditas, consumidos pelas drogas, vencidos pelas enfermidades ainda não controladas, pelos suicídios discretos ou espetaculares.
A alucinação generalizada certamente aumenta o medo nos temperamentos frágeis, nas constituições emocionais de pouca resistência, de começo, no indivíduo, depois, na sociedade.
Esta é uma sociedade amedrontada.
As gerações anteriores também cultivaram os seus medos de origem atávica e de receios ocasionais.
O excesso de tecnicismo com a correspondente ausência de solidariedade humana produziram a avalanche dos receios.
A superpopulação tomando os espaços e a tecnologia reduzindo as distâncias arrebataram a fictícia segurança individual, que os grupos passaram a controlar, e as consequências da insânia que cresce são imprevistas.
Urge uma revisão de conceitos, uma mudança de conduta, um reestudo da coragem para a imediata aplicação no organismo social e individual necrosado.
Todavia, é no cerne do ser — o Espírito — que se encontram as causas matrizes desse inimigo rude da vida, que é o medo.
Os fenômenos fóbicos procedem das experiências passadas — reencarnações fracassadas —, nas quais a culpa não foi liberada, face ao crime haver permanecido oculto, ou dissimulado, ou não justiçado, transferindo-se a consciência faltosa para posterior regularização.
Ocorrências de grande impacto negativo, pavores, urdiduras perversas, homicídios programados com requintes de crueldade, traições infames sob disfarces de sorrisos produziram a atual consciência de culpa, de que padecem muitos atemorizados de hoje, no inter-relacionamento pessoal.
Outrossim, catalépticos sepultados vivos, que despertaram na tumba e vieram a falecer depois, por falta de oxigênio, reencarnam-se vitimados pelas profundas claustrofobias, vivendo em precárias condições de sanidade mental.
O medo é fator dissolvente na organização psíquica do homem, predispondo-o, por somatização, a enfermidades diversas que aguardam correta diagnose e específica terapêutica.
À medida que a consciência se expande e o indivíduo se abriga na fé religiosa racional, na certeza da sua imortalidade, ele se liberta, se agiganta, recupera a identidade e humaniza-se definitivamente, vencendo o medo e os seus sequazes, sejam de ontem ou de agora.

24 maio 2018

JESUS E DEVER - Joanna de Angelis



Por certo, de maneira inconsciente, incontáveis indivíduos se crêem merecedores de tudo. Supõem que até o Sol brilha porque eles existem, a fim de facultar-lhes claridade, calor e vida.
Fecham-se nos valores que se atribuem possuir e, quando defrontam a realidade, amarguram-se ou rebelam-se, partindo para a agressividade ou a depressão.
Não assumem responsabilidades, nem cumprem com os deveres que lhes cabem.
Às vezes comprometem-se, para logo abandonarem a empresa acusando os outros, sentindo-se injustiçados.
São exigentes com a conduta alheia e benevolentes com os próprios erros.
Sempre estremunhados, tornam-se pesado fardo na economia social, criando situações desagradáveis.
Fáceis e gentis quando favorecidos, tornam-se rudes e ingratos, se não considerados como acreditam merecer.
Afáveis no êxito, apresentam-se agressivos no esforço.
Olvidam-se de que a vida é um desafio à coragem, ao valor moral e que todos temos deveres impostergáveis para com ela, para com nós mesmos e para com os nossos irmãos terrestres.
Ninguém tem o direito de fruir sem trabalhar, explorando o esforço de outrem.
O prêmio é a honra que se concede ao triunfador que se empenhou por consegui-lo.
Palmo a palmo, o viajante ganha o terreno que percorre, fitando com desassombro a linha de chegada.
O dever de cada um o conduz na empreitada da evolução.
Esse esforço resulta da conquista moral que a consciência se permite, em plena sintonia com o equilíbrio cósmico.
Ser útil em toda e qualquer circunstância, favorecer o progresso, viver com dignidade, são algumas expressões do dever diante da vida.
*
Em inolvidável parábola, Jesus delineou o comportamento do homem que se esforça e merece respeito, demonstrando-lhe a fragilidade e, ao mesmo tempo, o desejo de renovação.
Mateus recorda que “havia um homem que tinha dois filhos.
Falou ao primeiro: “Filho, vai hoje trabalhar na vinha”, ao que ele respondeu: “Sim, senhor”; porém, refletindo, mais tarde, resolveu não ir. Ao segundo filho fez a mesma proposta e ele disse: “Não quero”. Todavia, arrependido, foi. “– Qual dos dois atendeu a vontade do pai?”, pergunta o Mestre. E os interrogantes responderam a Jesus: “O segundo”.
Defrontamos, nessa experiência, a ação e a promessa, o fato e a intenção.
A ação deve predominar porque é resultante do dever. Para ela não se tornam necessárias palavras melífluas ou confortadoras, mas sim a decisão para realizá-la corretamente.
Jesus sempre propõe o dever, a ação; bem entender, a fim de melhor atuar.
Ele não induz ninguém à alienação da realidade objetiva do mundo. Ele estabelece uma escala de valores que devem ser respeitados, merecendo primazia os mais relevantes, que se tornam a pauta de conquistas do homem de bem, que cumpre com o seu dever.
Diante dEle, estagnação é morte e esta é crime cometido contra o “reino de Deus” que está dentro do próprio homem, necessitando de ser conquistado.
Todas as parábolas que Ele nos ofereceu estão plenas de ação, sem impositivos externos, antes como resultado de espontânea lucidez da consciência desperta.
*
Nunca prometas realizar o que não pretendes fazer.
Jamais permaneças inoperante em um lugar já conquistado.
Identifica as possibilidades aí vigentes e segue adiante.
O dever que te impõe renúncia e sacrifício também te alça à harmonia, liberando-te dos conflitos e das dúvidas.
Não cesses de crescer interiormente. A insatisfação com o que já lograste sem rebeldia será a tua motivação para conquistas mais expressivas.
És servidor do mundo.

Jesus, que se originara nas estrelas, afirmou ser o servo de todos e assim se fez, para que “tivéssemos vida e esta em abundância”.


Texto extraído do livro JESUS E ATUALIDADE, do Espírito Joanna de Ângelis pelo médium Divaldo Franco


25 abril 2018

PROJEÇÃO PODEROSA - Miramez(João Nunes Maia)



Quando se inaugurou a razão no homem, este começou a dominar uma força poderosa. Primeiro, na sua inconsciência; depois, certificou-se de que a imaginação lhe emprestava uma grandiosidade ilimitada na face da Terra e além das fronteiras deste mundo. O início das projeções mentais era desordenado, sem que o aparelho da mente pudesse obedecer à lâmpada interior que acendia e apagava, como que pedindo socorro no florescer de uma vida nova. Milhares de anos se passaram e esse impulso, de dentro para fora, tomou sequência, de modo a se organizar e a se expandir, pelas forças dos sentimentos.
Eis as linhas do pensamento, na sua propiciadora evolução, a maior força no tempo e junto ao tempo, que a alma domina e projeta em todas as direções, que o espírito superior usa na construção da felicidade, na edificação do amor e na difusão da verdade. E a alma inferior se apodera dele, fazendo guerras, matando, destruindo e ateando calamidades por onde transita.
Todos nós, que viajamos na Terra, pertencemos à escola do Cristo, que objetiva, em todos os seus programas, a educação da mente. O Evangelho constitui normas para que os nossos pensamentos sejam disciplinados, fortalecidos, no sentido de atingir a plenitude dos santos e a tranquilidade dos místicos. O que chamais de decadência doutrinária e moral da humanidade, nada mais é do que curva evolutiva assinaladora dos fins dos tempos, em que vigora a ignorância. Na verdade, nada decai.
O progresso é lei suprema estatuída por mãos infalíveis. A aparência de colapso no Cristianismo, no tocante à mutilação dos seus mais profundos ensinamentos, depois do segundo milênio da sua expansão profética e profícua, não foi maldade dos homens, e sim, ignorância, filha da imaturidade. Tudo isso foi antevisto pelo Divino Senhor, quando assegurou que enviaria outro Consolador para que ficasse eternamente conosco - O Espírito da Verdade - propiciando-nos o consolo, a assistência, a caridade, nos encaminhando como se fôssemos crianças, sem a visão necessária para a viagem evolutiva.
Foi depois de Jesus Cristo que a razão tomou dimensões inigualáveis. O espírito imortal começou a usar a poderosa força da mente na cocriação, e as escolas iniciáticas abriram as portas, por não se sentirem suficientes na igualdade com o Mestre, que falava à coletividade sem o entrave das escolas, de partidos e de castas, usando a natureza como templo, o céu como desenho emblemático, e as aves, animais e plantas como companhias que Lhe pudessem dar e receber o que de mais sagrado tinha para ser entregue à Terra: a Boa Nova do Reino. Aí começou a projeção poderosa do Verbo Divino que se fez carne, andando com os homens, sem que estivesse na faixa deles. Reuniu os discípulos e, na casa do pescador, abriu a primeira escola da mente, dando ensejo àqueles homens de educar seus pensamentos e projetá-los nas órbitas individuais de cada ser que sofres-se dramas íntimos, que fosse castigado pelas provações dolorosas, que chorasse e pedisse consolo. E essa escola vigora até hoje na sua extensão infinita, ganhando terreno em todos os rumos do saber. O Evangelho, nos dias que correm, valoriza-se cada vez mais, por ser a maior esperança da humanidade, o conglomerado mais perfeito das leis de Deus.
Se quereis saber, o Evangelho é o céu na Terra. É a porta pela qual poderemos entrar para o reino de Deus. Parece-nos que o fanatismo empanou o brilho do Cristianismo no mundo, mas, na verdade vos dizemos, que isso ficou somente nas aparências. O fanatismo religioso, materialista ou científico, é um estágio de ascensão de que carece a própria humanidade, no avanço para a verdade. Nada se perde, na preciosidade do tempo e do espaço infinito. Tudo avança, por leis irremovíveis do Criador.
E agora é que os homens, ou pelo menos alguns deles, estão compreendendo o tesouro que tem nas mãos, do qual depende a sua felicidade: a projeção poderosa da mente, educada no serviço do amor - o céu no coração e a luz de Deus na consciência.




24 abril 2018

HOMOSSEXUALISMO - Ramatís(Hercílio Maes)


PERGUNTA: — A tendência de buscar uma comunhão afetiva com outra criatura do mesmo sexo, conhecida por homossexualidade, implica em conduta culposa perante as leis Espirituais?
RAMATÍS: — Considerando-se que o "reino de Deus" está também no homem, e que ele foi feito à imagem de Deus, evidentemente, o pecado, o mal, o crime e o vício são censuráveis, quando praticados após o espírito humano alcançar frequências muito superiores ao estágio de infantilidade. Os aprendizados vividos que promovem o animal a homem e o homem a anjo, são ensinamentos aplicáveis a todos os seres. A virtude, portanto, é a prática daquilo que beneficia o sei; nos degraus da imensa escala evolutiva. O pecado, a culpa, são justamente, o ônus proveniente de a criatura ainda praticar ou cultuar o que já lhe foi lícito usar e serviu para um determinado momento de sua evolução.
A homossexualidade, portanto, de modo algum pode ofender as leis espirituais, porquanto, em nada, a atividade humana fere os mestres espirituais, assim como a estultícia do aluno primário não pode causar ressentimentos no professor ciente das atitudes próprias dos alunos imaturos. Pecados e virtudes em nada ofendem ou louvam o Senhor, porém, definem o que é "melhor" ou pior para o próprio ser, buscando a sua felicidade, ainda que por caminhos intrincados dos mundos materiais, sem estabilidade angélica. A homossexualidade não é uma conduta dolosa perante a moral maior, mas diante da falsa moral humana, porque, os legisladores, psicólogos, e mesmo cientistas do mundo, ainda não puderam definir o problema complexo dos motivos da homossexualidade, entretanto, muitos o consideram mais de ordem moral do que técnica, científica, genética ou endócrina.

PERGUNTA: — Mas o que realmente explica o fenômeno da homossexualidade?
RAMATÍS: — É assunto que não se soluciona sobre as bases científicas materialistas, porque, só podereis entendê-lo e explicá-lo, dentro dos princípios da reencarnação. Evidentemente, não se pode esclarecer o motivo da homossexualidade, quando explicado exclusivamente pela maioria do mundo heterossexual, tal qual não pode explicar certos estados sublimes ou depressivos dos humanos quem não tenha vivido o mesmo fenômeno.
Não bastam conclusões simplistas, pesquisas psicológicas e indagações  científicas mundanas para explicar com êxito as causas responsáveis pelo homossexualismo. É um problema que se torna mais evidente com o aumento demográfico da humanidade e, também, das novas concepções do viver humano, como libertação de "tabus" e a busca da autenticidade na vida e seus propósitos. Crescem os grupos, comunidades e, até instituições homossexuais, no afã de solverem os problemas angustiosos ou os motivos das incoerências apontadas pelos contumazes julgadores do próximo, mas, incapazes de julgarem-se a si mesmos. Milhões de homens e mulheres são portadores dessa anomalia, e requerem a atenção e o estudo cuidadoso de suas reações e comportamento, não meramente que os julguem censuráveis à luz dos princípios e costumes morais da civilização retrógrada e mistificadora.

PERGUNTA: — Sob a opinião vigente, parece tratar-se de um fenômeno anormal. Que dizeis?
RAMATÍS: — Tal afirmação é verdadeira quando interpretada estatisticamente, por ser a maioria significativa das pessoas heterossexuais, porém, ao interpretarmos sob o prisma das leis da evolução espiritual, o problema não pode ser solucionado de forma geral, pois, é peculiar a cada individualidade, em sua luta redentora anímica. No decorrer do tempo, a humanidade terrícola há de compreender melhor os conceitos de normalidade e anormalidade, verificando não se ajustarem de maneira coerente, ao tratar-se simplesmente de gestos, condutas externas, incapazes de mostrarem o íntimo das almas. O próprio corpo carnal traz, às vezes, alguns traços da anormalidade ou normalidade do espírito, porquanto, é, tão somente, o agente de manifestações configuradas na herança biológica, determinada pela hereditariedade espiritual.
O problema, é realmente, de afinidades eletivas no campo da espiritualidade, porquanto, homem e mulher carnais são, apenas, expressões da mesma essência espiritual, diferenciada pela maior ou menor passividade, atividade, sentimento e razão. Através de milênios, o espírito ora encarna-se num organismo feminino, ora masculino, despertando, desenvolvendo e aprimorando as qualidades inerentes e necessárias das expressões sexuais. O homem e a mulher têm, simultaneamente, predicados algo femininos ou masculinos, que se acentuam dando características peculiares em cada reencarnação, sem que isso possa definir uma separação absoluta, capaz de classificar como anomalias os reflexos femininos na entidade masculina e vice-versa.
PERGUNTA: — Afirmam alguns estudiosos dos problemas de homossexualidade que se trata de consequência glandular. Que dizeis?
RAMATÍS: — São palpites e confundem o "efeito" com a "causa", porquanto, as alterações endócrinas, apenas, ativam ou reduzem o metabolismo glandular, resultante da tensão psíquica intensa ou reduzida sobre as estruturas cerebrais, entre elas o hipotálamo e o eixo hipotalâmico, com a ação reflexiva sobre a hipófise, a qual ativa as demais glândulas endócrinas.

PERGUNTA: — Poderíeis explicar-nos, de modo mais compreensível para nós, as particularidades desse assunto?
RAMATÍS: — O espírito que, por exemplo, numa dezena de encarnações nasceu sempre mulher, a fim de desenvolver sentimentos numa sequencia de vidas passivas na atividade doméstica, mas, por força evolutiva, precisa desenvolver o intelecto, a razão, atitudes de liderança e criatividade mental enverga um organismo masculino e, consequentemente, os caracteres sexuais de homem; entretanto, ele revive do perispírito suas reminiscências de natureza feminina. Depois de várias encarnações femininas e, subitamente, renascendo para uma existência masculina, raramente, predominam, no primeiro ensaio biológico, os valores masculinos recém-despertos, porque sente, fortemente, as lembranças psíquicas ou o condicionamento orgânico feminino. Em consequência, renasce e se desenvolve, no ambiente físico terreno, uma entidade com todas as características sexuais masculinas e, contudo, apresentando um comportamento predominantemente feminino. Assim, eclode a luta psicofísica na intimidade do ser, em que os antecedentes femininos conflitam com as características masculinas, ocasionando conflito dos valores afetivos, que oscilam, indeterminadamente, entre a atração feminina ou masculina. É o homossexual indefinido quanto à sua afeição, pelas exigências conservadoras e tradicionais da sua comunidade, para a qual ele é um "homem" anátomo-fisiologicamente, mas, no âmago da alma, tem sentimentos e emoções de mulher, recém-ingressa no casulo orgânico masculino. Apresentando todas as características da biologia humana do tipo masculino é, no campo de sua afeição e emotividade, uma criatura afeminada, malgrado os exames bioquímicos feitos serem característicos do sexo masculino.

PERGUNTA: — Poderíamos supor que tal fenômeno pode acontecer, também, num sentido inverso, quando o espírito demasiadamente masculinizado em vidas anteriores, traz essas características ao renascer mulher?
RAMATÍS: — No caso, ocorre o mesmo processo ventilado. O Espírito que viveu uma dezena de existências masculinas, situado em atividades extra lar, desenvolvendo, mais propriamente, os princípios ativos, o intelecto, a razão e a iniciativa criadora, mais comandando e menos obedecendo, mais impondo e menos acatando, desenvolve uma individualidade algo prepotente e, às vezes, tirânica. Obviamente, ele precisa modificar o seu psiquismo agressivo ou violento pelas constantes atividades de lutador, guerreiro, onde a razão não permite qualquer prurido sentimental e, reconhecendo a necessidade de desenvolver o sentimento, é aconselhado a envergar um organismo carnal feminino, em algumas reencarnações reeducadoras. Nesse caso, é muito difícil expressar, de início, as características delicadas, temas e gentis da mulher. A tensão perispiritual despótica, impulsiva e demasiadamente racional atua fortemente no novo corpo projetado para o sexo feminino e, por repercussão extracorpórea, ativa em demasia o cérebro, predispondo à ação da masculinidade sobre as características delicadas feminis. Daí, a conceituação da "mulher-macho", com a voz, gestos e decisões que lembram mais o homem.
Não se pode comprovar serem essas características provenientes de alguma alteração genética; realmente, imprimem na criatura a característica psicológica do sexo, a qual se sobrepõe à fisiologia e singeleza dos órgãos reprodutores. Sexo masculino é atividade mental, sexo feminino é atividade sentimental, enquanto, a diferença orgânica entre o homem e a mulher é apenas resultante das irradiações eletromagnéticas do perispírito na vida física. Em verdade, importa fundamentalmente ao espírito imortal desenvolver a razão para melhor compreender e agir no mundo e, simultaneamente, o sentimento para sentir o ambiente e, aí, efetuar realizações criadoras. Daí, o motivo por que a angelologia faz da figura do anjo um ser duplamente alado, cuja asa direita simboliza a razão e a esquerda o sentimento, comprovando a necessidade de o espírito humano só se liberar para o trânsito definitivo ao universo divino, em sua ascese espiritual, depois da completa evolução da razão e do sentimento.
É do conhecimento espiritual que, no desenvolvimento da individualidade do espírito eterno, a passagem da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, no renascimento num corpo físico com certa marca sexual, de início predominam sempre os traços da feminilidade ou da masculinidade anterior, malgrado as diferenças da figura sexual do corpo.
No incessante intercâmbio do espírito, manifestando-se ora pela organização carnal feminina, ora pela masculina, ele desperta valores novos comuns a determinada experiência humana como homem, ou como mulher. Ademais, nesse renascimento através do binômio homem-mulher, além do desenvolvimento do intelecto ou da razão, conforme o estágio masculino ou feminino, corrige e salda os débitos dos abusos pecaminosos desta ou daquela condição, feminina ou masculina.
Insistimos em dizer-vos: o homem que abusa de suas faculdades sexuais no excesso da lascívia e somente para a satisfação erótica, culminando por arruinar a vivência de outras pessoas, chegando a ocasionar desuniões conjugais, provocar a discórdia, a aflição e o desespero e desonras em lares diversos, ou lançando na vida a infeliz moça com o filho no desamparo de mãe-solteira, ou que descamba por desespero e fraqueza na prostituição, há de corrigir-se do seu desregramento pelo renascimento físico num corpo feminino e, sob a coação doméstica do esposo tirânico, resgatar e indenizar todos os males produzidos ao próximo.
Igualmente, a mulher que não cultiva os valores sadios da função digna e amorosa de esposa, poderia sofrer nova encarnação feminina dolorosa, ou terá de se reajustar, na condição física, num corpo masculino, capaz de lhe proporcionar todas as ilusões, descasos e fuga dos deveres conjugais com uma companheira tão fútil, pérfida e irresponsável quanto também foi no passado, saturando assim o desejo, em vez de sublimá-lo. Ambas as posições, feminina e masculina, no mundo físico, proporcionam ensejos válidos e simultaneamente corretivos para garantir ao espírito aflito pela redenção, alcançar, o mais breve possível, a frequência angélica, independente de sexo e estágios carcerários na carne.

PERGUNTA: — Afora os espíritas ou reencarnacionistas esclarecidos, é muito difícil encontrar-se mentalidades humanas crentes dessa possibilidade de o espírito renascer homem, ou de retornar como mulher. Talvez, exista nisso uma reação inconsciente do homem, ao se considerar frustrado ou ferido em sua masculinidade, pelo fato de poder vir a ser mulher, como um objeto de sensualidade passiva?
RAMATÍS: — Causa certa surpresa a descrença na possibilidade de o mesmo espírito de homem retomar à Terra na figura de mulher, quando a própria imprensa terrena é pródiga de notícias nas quais a intervenção cirúrgica e a terapêutica hormonal adequada transforma homens em mulheres, e vice-versa. Considerando-se que é bem mais difícil ao homem se transformar em mulher, depois de caracterizada a sua masculinidade na existência física, é bem mais fácil o espírito decidir-se pelo sexo, antes de renascer.

PERGUNTA: — Que dizeis desse estigma de homossexualidade, quando as opiniões se dividem, taxando tal fenômeno de imoral, e outros de enfermidade?
RAMATÍS: — Sob a égide da severa advertência do Cristo, em que "não julgueis para não serdes julgados", quem julgar a situação da criatura homossexual de modo anti-fratemo e mesmo insultuoso, não há dúvida de que. a Lei, em breve, há de situá-lo na mesma condição desairosa, na próxima encarnação, pois, também é de Lei "ser dado a cada um segundo a sua obra".
Considerando-se nada existir com propósito nocivo, fescenino, imoral ou anormal, as tendências homossexuais são resultantes da técnica da própria atividade do espírito imortal, através da matéria educativa. Elas situam o ser numa faixa de prova ou de novas experiências, para despertar-lhe e desenvolver-lhe novos ensinamentos sobre a finalidade gloriosa e a felicidade da individualidade eterna. Não se trata de um equívoco da criação, porquanto, não há erro nela, apenas experimento, obrigando a novas aquisições, melhores para as manifestações da vida.
Assim, o companheiro atribulado, ou de tendência homossexual, precisa mais do amparo educativo, da instrução espiritual correta referente ao entendimento dos acontecimentos reencarnatórios e da fenomenologia de provas cármicas. Os erros e acertos da alma, principalmente no campo do amor e do sexo, sejam quais forem as linhas de força dirigentes nessa ou naquela direção, são problemas que recebem a mesma análise e solução justa por parte da Lei, seja qual for a procedência, correta ou equivocada. São assuntos da consciência de todos os homens, pois, de acordo com a Justiça e a Sabedoria, quem ainda não passou por provas semelhantes e condena ou insulta o próximo há de enfrentá-las dia mais ou dia menos, a fim de sentir, na própria carne, não o erro do próximo, mas o remorso do mau julgamento espiritual.

PERGUNTA: — Que dizeis de a homossexualidade ser um acontecimento imoral?
RAMATÍS: — É de senso comum ser a moral humana produto das tradições, costumes, preconceitos, convenções sociais, as quais têm por objetivo a segurança, a sobrevivência e a proteção da sociedade. É enfim, parte da ética, que trata dos costumes, dos deveres e do modo de proceder dos homens para com os outros homens, segundo o senso de justiça e de equidade natural. No entanto, se deveres, obrigações e bons costumes definem a boa moral humana, verificamos que, acima da moral transitória e evolutiva das relações entre pessoas, existe a moral eterna, incluindo todos os seres do Universo, não apenas um povo, um planeta. Não é difícil observar que a mais avançada ou aparente sadia moral humana pode, muito bem, conflitar com os fundamentos preceituais da verdadeira moral e, consequentemente, nem sempre o que é moral aos homens, em certa cultura, seria em outra etnia e muito menos, para a moral universal.
Enquanto a moral humana é um recurso de equilíbrio, sobrevivência pacífica e disciplina entre os cidadãos, tendo por apanágio o acatamento às leis, costumes, preceitos sociais, respeito à propriedade alheia, vivência regrada sem licenciosidade pelos bons hábitos considerados os melhores no momento, a Moral Universal é fundamentada, exclusivamente, no Amor. Imoral, portanto, é todo cidadão encarnado que falta com o preceito fundamental da vida espiritual superior — o Amor. Se a homossexualidade é imoral, pelos conceitos passageiros da moral humana, também são imorais os cidadãos que julgam seus irmãos, incorrendo culposamente na falta de Amor.

PERGUNTA: — Há fundamento em que a homossexualidade é mais propriamente, fruto de enfermidade psíquica?
RAMATÍS: — Considerando-se ser o amor saúde espiritual e o ódio enfermidade, toda transgressão da Lei do amor pode ser enquadrada na terminologia patológica, ora de menos ou de mais gravidade, neste ou naquele setor. Embora saibamos ser a doença fruto fundamental do desequilíbrio físico, ou psíquico, ou de ambos, de qualquer forma, a enfermidade sempre decorre da negligência espiritual do homem para com as leis superiores no campo da virtude e do vício.
Assim, tanto pode ser apontada por enfermidade a tendência homossexual quanto a hipocrisia, a maledicência, a avareza, a inveja, a luxúria, a ira, a preguiça e a própria gula, assim classificadas pela espiritualidade. Em consequência, o problema da homossexualidade não é quanto à sua classificação legal ou científica, mas o de amparo afetuoso por todos, que e julgam sadios na sua heterossexualidade.

PERGUNTA: — E quanto a se enquadrar o homossexualismo na categoria de perversão?
RAMATÍS: — Caso o homossexualismo seja perversão passível de terapêutica ou de penas legais, cabe às leis da natureza a culpa fundamental disso, pelo fato de elas não saberem desenvolver as características específicas da personalidade, ditadas pelas influências do espírito humano, acostumado por um punhado de existências exclusivamente femininas ou masculinas. Na nova encarnação, pela ação da forte sexualidade do passado, essas influências modificam as reações psicológicas do espírito renascido mulher ou homem, contrariando as peculiaridades orgânicas. O homossexual pode ser fruto de dificuldades da técnica sideral em conseguir o psiquismo adequado ao organismo humano, em atenuar a feminilidade total em nova encarnação masculina, ou vice-versa; ou, é óbvio que também pode ser a prova cármica para quem, realmente, abusou de suas faculdades eróticas, ocasionando prejuízos a outros, no campo da própria sexualidade, com repercussões sociais. Ademais, em muitos casos, espíritos de liderança, cultos, hipersensíveis, virtuoses da música, gênios da pintura ou renomados escultores da matéria e da vivência espiritual, no intuito de concluir tarefas de elevação nos agrupamentos humanos e melhoria de si próprios, podem solicitar a mudança urgente da personalidade definida transitoriamente na carne, assumindo um organismo sexualmente oposto ao ultimamente habitual. Daí, a influência fortemente feminil na organização carnal de sexo masculino, ou a força dominante de masculinidade no arcabouço físico feminino, num visível desequilíbrio entre o psicológico e o orgânico.
Além disso, se o vosso orbe terrícola, planeta de evolução primária, lentamente se transformando para estados mais avançados, até atingir o objetivo de evolucionar para uma valiosa escola espiritual superior, fosse habitado exclusivamente por espíritos puros ou superiores, não existiriam problemas de "perversões" ou "prostituições", porquanto, tais problemas não são específicos de entidades malignas, porém, decorrentes da inferioridade e dos defeitos de todos os homens terrenos. Os próprios "marginais" e "delinquentes" terrenos são produtos indiretos da falta de assistência, educação, saúde, lar, carinho e amor da sociedade que se julga impoluta, quando é hipócrita e mistificadora. Para qualquer deslize, inversão sexual, delinquência, crime, pilhagem, subversão, vício ou perversão, culpa-se toda a humanidade, onde cada cidadão é responsável por determinada cota de negligência, egotismo, comodidade, bem-estar, prazer egocêntrico, pusilanimidade, especulação lucrativa extorsiva, fanatismo religioso, mentalidade obscena, fácil irascibilidade, adultério, avareza ou excesso de bens, roubados à maioria. Ainda nesse caso, tudo lembra a frase de Jesus: "Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra". Em verdade, surgiu na Terra uma criatura absolutamente hígida em espírito, isenta de qualquer desequilíbrio emotivo ou criação mental negativa. Ele era harmônico e sadio quanto às suas emoções, justo e absolutamente amoroso em suas ações, irradiando bondade, perdão e amor e, acima de tudo, sem qualquer sombra de "perversão" ou "prostituição", pelo seu caráter ilibado e conduta honesta. Mas, os homens mesquinhos pregaram-no na cruz, por ser Jesus, o Cristo vivo, um látego da nova moral sobre os pretensos impolutos defensores e participantes da sociedade humana deteriorada.
Mesmo assim, traído, insultado, zombado, ferido e crucificado, Ele estendeu seu majestoso e sublime olhar à multidão acicatada pelas paixões inferiores e sua voz vibrou amorosamente para toda eternidade: "Pai, perdoai-os, porque eles não sabem o que fazem".

PERGUNTA: — Sob vossa opinião, é sempre censurável o fato de alguém condenar homossexuais?
RAMATÍS: — Sob qualquer conceituação que os julgardes, seja distúrbio endocrínico, enfermidade, perversão, prostituição ou vício, trata-se de almas companheiras de vossa jornada terrena, merecendo a compreensão, pois, talvez, ainda tereis de passar por semelhante problema, ou já o tivestes antes. Como não há privilégios, preferências religiosas ou injustiças da Lei, nenhum espírito ou filho de Deus passará incólume da animalidade para o estado humano, e de homem para anjo, sem passar por problemas, insuficiências, defeitos, pecados e vícios de toda a humanidade. Alhures, já vos dissemos que o próprio Jesus não evoluiu em "linha reta", porém, fez o curso integral da vida física como qualquer outro homem já o fez ou terá de fazê-lo. Distingue-se Jesus de Nazaré dos demais homens atuais porque, tendo alcançado o clímax de sua evolução planetária, sacrificado na cruz, e sepultado, ressuscitou pela emancipação espiritual na figura do "Irmão Maior" e é, na atualidade, o "Caminho, a Verdade e a Vida", pois, quem não praticar os seus ensinamentos, adquiridos em suas vidas, em incontáveis milênios de aperfeiçoamento, não alcançará o reino dos Céus.
Consequentemente, o principal problema não é de interpretação científica, patológica ou moral, no tocante aos portadores de homossexualidade, num julgamento simplista ou leviano, mas o de ajuda, compreensão e interesse de fazer ao irmão réprobo social o mesmo que desejaria a si mesmo, caso se defrontasse com semelhante problema. Ainda aqui, recomendamos o Cristo, na sua advertência incomum: "Vedes o argueiro no olho do vizinho, e não reconheceis a trave no vosso olho?"
Na verdade, a maioria das criaturas homossexuais não sabe bem o que lhes acontece e, assim, não pode ser culpada de uma situação cuja causa desconhece conscientemente. Daí, a necessidade de ajuda por outros que podem examinar, analisar e concluir de modo mais exato quanto às providencias favoráveis ou, pelo menos, maior compreensão e tolerância. O homossexual, em geral, é uma alma confusa, sujeita a impulsos ocultos, não tendo a percepção das causas ou dos motivos que o levam à erotização pelo mesmo sexo. É de conceito comum, mesmo entre as pessoas sem conhecimento psicológico, ser o sexo uma força poderosa e atuante no ser humano, capaz de conduzi-lo às piores perversões, delinquência e até crimes, pela satisfação animal imediata.
O desejo sexual pode cegar o homem mais culto, mais sábio e mesmo o líder religioso, o sacerdote impoluto, pois, a história é pródiga de exemplos de mentalidades de poderosa criatividade deixarem se dominar por ele e rebaixarem-se, até degradarem-se por uma paixão incomum, pela avidez da satisfação sexual. Entretanto, é doloroso notar serem tais desregramentos sexuais mais frequentes entre as criaturas heterossexuais, ou sejam, as que são julgadas normais e sadias. Portanto, como julgar a manifestação dessa energia poderosa canalizada para o homossexualismo, gerando contradições inexplicáveis? Logo, a mais correta e louvável atitude espiritual ainda é "ajudar" e não julgar as almas estigmatizadas socialmente pelos desvios da sexualidade.

PERGUNTA: — Considerando-se terem os heterossexuais uma opinião formada dos homossexuais, pelo direito peculiar às criaturas humanas de pensar, qual deveria ser a opinião deles a esse respeito?
RAMATÍS: — Embora considerando existir em, realmente, homossexuais cuja alma de mau caráter os leva a uma perversão na prática sexual, alguns de repulsivo cinismo e ostensivamente obscenos, a maioria dos homossexuais, geralmente, é de almas afetivas e gentis, espíritos simpáticos à arte, à música e à literatura romântica, porque dispõem de grande capacidade artística e estética, eletivos à harmonia, dotados de forte amor humano, quase sempre buscando realizações filantrópicas e serviços de benefício ao próximo e à humanidade. Os homossexuais masculinos trazem a sensibilidade feminina, de gentileza, candura e afetividade, e as mulheres, traços de masculinidade; às vezes, o despotismo, a agressividade, a rigidez e o gosto por trabalhos e esportes mais próprios do homem.
Aliás, as estatísticas do mundo demonstram que o índice de criminalidade entre os homossexuais é muito reduzido, talvez, porque são mais tolerantes e pouco inclinados à violência física, afora alguns casos excepcionais, quando há violência e conflitos, comuns também entre os heterossexuais. O mundo dos homossexuais é algo tranquilo, e sua maior conturbação é resultado das frustrações de relacionamento humano. Mas o homossexual não pode ser considerado um delinquente, um excluído social, porque exerce um trabalho, é capaz de amar, de servir, integrando-se à comunidade. Sem dúvida, há espanto, preconceito e opróbrio por parte dos heterossexuais, ante a sua impossibilidade de compreender a capacidade ou a desventura de uma pessoa amar outra do seu próprio sexo. No entanto, aqueles que entendem e reconhecem as minúcias do mecanismo e da motivação reencarnatória entendem, facilmente, que o afeto espiritual transcende as transitórias formas das personalidades físicas, embora, o acontecimento incomum de um ser amar o outro do mesmo sexo possa provocar estranheza e até repugnância.

PERGUNTA: — Se vos fosse razoável emitir uma conceituação generalizada sobre a diferença da criatura homossexual e a heterossexual, qual seria a vossa conclusão?
RAMATIS: — Demonstramos serem as diferenças da atividade sexual resultado das necessidades reencarnatórias de cada espírito e, portanto não nos cabe criticar, estigmatizar, porém, simplesmente, tolerar, ajudar e ver, em cada pessoa, um irmão, o que realmente somos diante da natureza.

PERGUNTA: — Tratando-se a homossexualidade de uma perturbação `psicofísica", quando a psique feminina se manifesta numa organização masculina, ou vice-versa, não produzindo deterioração da mente, ou mesmo do equilíbrio mental, é evidente que o homossexual pode enriquecer os setores culturais, artísticos, científicos do mundo como qualquer outro heterossexual?
RAMATIS: — Ademais, não existe uma linha definida, categórica, separando nitidamente o caráter homossexual do heterossexual, a não ser quanto à erotização; e, muitas criaturas convencidas de sua heterossexualidade absoluta mostram reações, emoções e atos identificados como traços de homossexualismo. Aliás, há mesmo a crença de que em cada homem há um pouco de feminilidade e, em cada mulher um pouco de masculinidade, mostrando as necessidades evolutivas da alma, no cultivo da razão e do sentimento.

Obviamente, o senso artístico, desde a poesia, a pintura, a música e a literatura tem recebido notável contribuição de inúmeros homossexuais. Quando puderam extravasar sua sensibilidade através das letras, da rima, dos sons e das tintas, equilibraram grande parte do seu drama interior, gerado pela oscilante personalidade indefinida organicamente. O certo é que as leis delinearam o homem e a mulher, proporcionando-lhes uma gama de estados espirituais, partindo dos assexuais, passando pelo hermafrodita, até a heterossexualidade, os quais são úteis ao desenvolvimento de sentimentos e de intelectualidade, estágios esses que não devem estigmatizar, mas, liberar o ser.


Texto extraído do livro SOB A LUZ DO ESPIRITISMO,Hercílio Maes ditado pelo espírito Ramatís.

23 abril 2018

POMBAGIRA e a SEXUALIDADE - Pai Benedito de Aruanda (Rubens Saraceni)



A visão do Mistério Pombagira sobre a sexualidade é guiada pelo que vibra no íntimo dos seres.
Diferente do que muitos imaginam ou do que já falaram ou escreveram, ela não é a favor nem apoia a prostituição, e sim, é esgotadora das sexualidades degeneradas.
Seres cuja sexualidade é viciada ou vicioso são seus alvos prediletos porque, para ela, desvios sexuais devem ser esgotados do jeito que for possível e permitido pela Lei Maior.
O fato de algumas “Pombagiras de trabalhos” revelarem em suas biografias fatos escabrosos no campo da sexualidade, tais como abortos, prostituição, uso do sexo como instrumento de poder e dominação, viciações as mais variadas, e porque entraram em desequilíbrio com seus mistérios íntimos e regrediram consciencialmente, cometendo ações contrárias aos princípios da vida, regidos pelos mistérios do sentido da geração.
Mães que renegaram seus filhos, que abortaram, que maltrataram crianças na mais tenra idade, etc., porque estavam passando por profundos desequilíbrios, com certeza sofreram intensa atuação do Mistério Pombagira e passaram por intensivos esgotamentos dos seus estados de consciência em desequilíbrio antes de serem levadas até a dimensão de Pombagira onde, aí sim, são submetidas a um processo de imantação pelo Mistério das Pombagiras guardiãs que as recolheram em seus domínios e as prepararam para retomarem suas evoluções atuando a partir das suas linhas ou hierarquias à "esquerda", onde atuam daí em diante como refreadores desses tipos de desequilíbrio íntimo nos seres humanos.
Elas voltam, mas não para repetirem os mesmos procedimentos, e sim, para combatê-los ou evitarem que suas protegidas venham a cometê-los.
Para Pombagira, antes só que mal acompanhada, mal amada e mal servida por seus pares masculinos, isto para suas médiuns, certo?
Que o digam o grande número de mulheres umbandistas que demoram para casar-se ou que, quando mal casadas, se separam e levam suas vidas sozinhas devido à influência de suas Pombagiras, que nelas são ativas e não admitem que seus companheiros (namorados ou maridos) as traiam ou as maltratem... e muito menos que tenham outra e as tratem com desprezo. Assim como não admitem que suas médiuns assim procedam com seus pares.
Pombagira torna suas médiuns ciumentas e um tanto possessivas em relação aos seus pares, mas nunca estimula nelas o vício da traição matrimonial, preferindo que elas se separem, não adotando esse tipo de procedimento errôneo.
Para Pombagira, é melhor uma separação dolorida que a traição matrimonial. Assim como é melhor a dor da solidão que a amargura e as mágoas de um relacionamento íntimo sofrido ou insatisfatório.
Que o digam as médiuns umbandistas que, ou não conseguem um bom namorado ou um bom marido porque suas Pombagiras já conhecem de cor e salteado as consequências para suas evoluções espirituais que os relacionamentos íntimos instáveis, desequilibrados ou doentios já lhes causaram e não querem ver suas médiuns cometerem os mesmos erros e regredirem pelas dores de um mau relacionamento.
Que o digam elas, que muitas vezes são advertidas por suas Pombagiras que “fulano de tal” não serve para coisa alguma e só vai fazê-la sofrer.
Ao contrário do que possa parecer, Pombagira é seletiva e transmite essa sua seletividade as suas médiuns, muitas vezes privando-as de uma companhia masculina, mas livrando-as de dissabores doloridos.
“Antes só que mal acompanhada, mal amada e mal servida’ dizem elas. Infelicidade por infelicidade, melhor viver a própria que as alheias.
Ao contrario dos seres machos, que creem que seus pares femininos estão aí para servi-los, Pombagira crê que os seres machos só foram criados para servi-la.
A natureza intima de Pombagira é altiva e dominadora, possessiva e ciumenta, ainda que ela manifeste essas suas características a seu modo e use seus recursos e dotes para subjugar suas “presas ou seus servidores”.
Agora, para Pombagira, relacionamento intimo recomendável é aquele que não implica sofrimento, mágoas e ressentimentos a nenhum dos envolvidos nele, independentemente de seres casados ou não, e desde que lhes proporcione prazer e satisfação e não atentem contra os princípios da vida, gerando abortos ou infância desamparada.
Seus conceitos de “certo e errado” são diferentes dos da sociedade patriarcal e machista, pois em sua tela vibratória dos interiores refletem todas as vibrações intimas de insatisfação, de todos os tipos de insatisfação, certo?
§  Se urna crença religiosa não está satisfazendo a pessoas, que ela mude de religião.
§  Se urna profissão não está correspondendo às expectativas, que mude de profissão ou de local de trabalho.
§  Se um namoro não está trazendo satisfação, que mude de namorado(a).
§  Se um casamento não está sendo feliz, que haja a separação, e ponto final!
Essa é a personalidade e o arquétipo de Pombagira, que agrada a algumas pessoas e assusta a muitas.
Para Pombagira, altiva como só ela pode e consegue ser, ela e a mulher que toda mulher gostaria de ser e que todo homem gostaria de ter como a sua. Isso segundo ela, certo?
Aqui nos limitamos a descrever sua personalidade e sua natureza íntima e arquetípica!

 Texto extraído do livro ORIXÁ POMBAGIRA, Rubens Saraceni inspirado por Pai Benedito de Aruanda.